O período atual tem sido identificado com uma quarta revolução industrial (4RI) por virtude do aparecimento de um conjunto de novas tecnologias desde o início do século XXI com potencial impacto ao nível económico e social.
Um estudo recente do Instituto Europeu de Patentes identifica os tipos de tecnologias mais relevantes para a 4RI e confirma um crescimento assinalável na procura de patentes europeias nesses domínios.
As várias “revoluções industriais”
A primeira “revolução industrial”, termo popularizado pelo historiador inglês Toynbee, abrange um conjunto de inovações nos processos de fabrico que se situam temporalmente entre o século XVIII (segunda metade) e o século XIX (1840) com origem no Reino Unido. Nesta época a produção artesanal dá lugar à produção mecânica e em massa, baseada na energia a vapor, surgindo a grande fábrica como unidade produtiva típica.

Foram determinantes neste período invenções como o tear mecânico de Cartwright que recebeu várias patentes e foi aperfeiçoado. Essa invenção permitia multiplicar por 40 o resultado da produção de um só trabalhador.
A segunda revolução industrial é geralmente identificada com um período de grande desenvolvimento industrial nos países europeus (Reino Unido, Alemanha, França, Itália) EUA e Japão, e que vai das últimas décadas do século XIX até ao início da 1 ª guerra mundial. Nesta fase assiste-se à produção de ferro e aço em larga escala, bem como de novos metais, ligas e materiais (por exemplo, o plástico), uma forte expansão do caminho-de-ferro, o uso geral de máquinas-ferramentas, o desenvolvimento de novas tecnologias como o telégrafo, telefone e rádio, o motor de combustão, e da utilização do petróleo e da electricidade. Em 1876, Nikolaus A. Otto, engenheiro alemão, inventou e construiu o primeiro motor de combustão interna de quatro tempos e determinou o ciclo teórico sob o qual trabalha o motor de explosão (“ciclo Otto”). Dezenas de inovações e inventos contribuíram para o surgimento de novos modelos de organização produtiva como a linha de montagem de Henry Ford.
Fala-se de uma terceira revolução industrial para referir o período da segunda metade do século XX, caracterizada pela emergência de uma nova energia (nuclear) e a ascensão da eletrónica (transístor e microprocessador), uso generalizados dos circuitos digitais e tecnologias derivadas como as telecomunicações, os computadores e, enfim, o surgimento da internet. Nesta época a produção é cada vez mais automatizada com base na informática e robótica.
A 4ª RI
O período atual tem sido identificado com uma quarta revolução industrial (4RI) por virtude do aparecimento de um conjunto de novas tecnologias, potencialmente disruptivas e que, de um modo genérico, estabelecem interconexões entre os universos físico, digital e biológico. Como parte da 4RI, prevê-se que, em 2025, haverá, em casa e nas empresas, milhões de dispositivos equipados com sensores, processadores e software, conectados com a internet. Estes objectos serão “inteligentes” na medida em que terão capacidade de operar autonomamente baseados em dados que recolhem ou trocam.
O estudo do IEP
O Instituto Europeu de Patentes produziu recentemente um estudo em que foram identificados mais de 48000 pedidos de patentes apresentados até ao final de 2016 e referentes aos três setores de tecnologia considerados relevantes para a 4RI relacionados com os objectos inteligentes: as tecnologias de informação e comunicação fulcrais que tornam possível a criação de objectos conectados via internet; as tecnologias que as complementam, tais como a Inteligência Artificial (AI), tecnologias 3D e de determinação do posicionamento ou as interfaces para o utilizador; e em terceiro lugar, os domínios de aplicação dessas tecnologias, tais como pessoas, veículos, empresas ou casas.

O estudo mostra que em 2016, a Europa, o Japão e os EUA foram os principais centros de inovação, destacando-se a Alemanha nos domínios dos veículos, infraestruturas e fabricação, enquanto a França lidera em tecnologias de IA, segurança, sistemas 3D e interfaces. Contudo, a China e a Coreia do Sul estão a crescer a um ritmo superior nos últimos anos, destacando-se determinadas empresas por concentrarem um elevado número de patentes, nomeadamente, a Huawei e a ZTE da China e a Samsung e a LG da Coreia.
Na base da 4RI estão os avanços entre 2002 e 2015 na miniaturização dos transístores (componentes essenciais dos circuitos electrónicos) e o consequente aumento da capacidade dos processadores. Espera-se que o número de objectos conectados à internet aumente 15 a 20% ao ano, nos próximos tempos. De acordo com a Cisco (2017), o tráfego global de dados na internet crescerá três vezes de 2016 a 2021. Para esta “internet das coisas” contribuirá ainda a 5ª geração de redes móveis, permitindo taxas de transmissão de dados de até 10 GB/seg., em comparação com até 1 GB/seg. no 4G.